24 de fevereiro de 2012

Vozes


Opiniões, palpites, conselhos, ofertas, propostas, recebemos muitas destas durante a vida. Algumas boas, proveitosas, interessantes e outras que nem vale à pena ouvir. Mas é sempre assim, estamos cercados de vozes a nos dizer o que fazer.

Às vezes as vozes são de pessoas que conhecemos: nossa família, amigos ou alguém com quem trabalhamos ou nos relacionamos de alguma forma. Outras vezes são um tanto despersonalizadas, chegando através da Internet, da TV e de tantas mídias.

O fato é que, querendo ou não, estas vozes acabam por nos influenciar em maior ou menor grau. Quando percebemos já estamos mudando nossos hábitos, experimentando coisas e até abrindo pequenas concessões de tanto sermos bombardeados por vozes que nos impelem por diferentes caminhos.

Precisamos estar alertas e extremamente bem firmados se quisermos permanecer no caminho correto apesar das vozes, afinal elas não cessarão. A única maneira de vencê-las é adquirindo sabedoria suficiente para distinguir qual é a voz que devemos ouvir.

Você já observou que temos uma capacidade incrível de discernir a voz de quem é importante para nós, mesmo que haja outras chegando a nossos ouvidos? Lembro-me de quando meus filhos eram pequenos. Eu era capaz de reconhecer seu grito de “Mãe!” mesmo que houvesse muitas outras crianças brincando no play ground. Parecia que suas vozes tinham um canal preferencial em meus ouvidos, sobrepondo todas as outras.

Interessante que com os animais acontece algo parecido. Se você já teve um cachorrinho sabe que ele reconhece sua voz mesmo de longe. É só chamar que o bichinho sai correndo para estar ao seu lado.

Talvez você nunca tenha tido a oportunidade de ver um pastor cuidando de ovelhas. Semelhantemente aos cachorros, as ovelhas conhecem a voz do seu pastor e quando ele as chama obedecem vindo para onde ele está.

A palavra de Deus nos compara a ovelhas chamadas pelo bom pastor, Jesus, mas também nos alerta que somente aquelas que são do seu rebanho ouvem e obedecem. Esta é a voz a quem devemos dar ouvidos. Mas só saberemos reconhecê-la se tivermos com seu dono um relacionamento verdadeiro de amor e intimidade. Assim a voz de Jesus terá um canal preferencial não só em nossos ouvidos, mas em nossos corações e fará eco em cada atitude que venhamos a ter.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” – Jesus ( João 10:27)

Stela Herrera

16 de fevereiro de 2012

Superficialidade

Estive dirigindo por uma avenida após uma dessas chuvas de verão. Nem havia sido assim uma grande tempestade, mas um pouco de vento que precedeu uma chuva forte de alguns minutos apenas.

Incrível observar o estrago que aquele pouquinho de vento e chuva pode fazer. Encontrei outdoors descascados, muita sujeira trazida  dos mais diversos lugares para o meio da rua, mas o que chamou mais a minha atenção foram algumas árvores caídas nas calçadas. Não eram grandes e pareciam ter sido plantadas há pouco tempo, por isso não resistiram e tombaram expondo suas pequenas raízes, raízes superficiais.

Para uma árvore ter raízes superficiais pode ser extremamente perigoso, assim como para o ser humano.

Estranho é perceber que a sociedade caminha a passos largos para  a superficialidade. Hoje ela já atinge os mais diversos aspectos da vida: o conhecimento por exemplo. Você já observou como é raro encontrar pessoas que conhecem algo a fundo? O habitual é nos depararmos com quem sabe muito pouco a respeito de muitas coisas.

Até os relacionamentos estão se tornando mais e mais superficiais a cada dia. Há quem culpe o Facebook, o Twitter e outras redes sociais, mas a verdade é que a superficialidade já invadiu até mesmo os relacionamentos familiares. É comum encontrarmos cônjuges que não sabem do que seu par gosta ou qual é o herói de seus filhos. Filhos que não tem a mínima idéia do que seus pais faziam quando tinham a sua idade e nem imaginam que pais também têm sonhos e projetos. 
Desconfio de que a sociedade descobriu que a superficialidade pode ser cômoda. Não é preciso se esforçar, nem se sacrificar para se relacionar superficialmente e assim certamente sofre-se menos pelo outro já que não há um real envolvimento. Mas o que a muitos não sabem é que a superficialidade, a falta de compromisso, não pode trazer nada além de vazio.

Esse mal tem invadido até mesmo o relacionamento com Deus. A maioria das pessoas afirma que crê em Deus e uma boa parte até que ama a Deus, mas poucos se esforçam para conhecê-lo e menos ainda reservam tempo para estar num diálogo com Ele, para compartilhar algo com aquele que nos deu tudo.

Precisamos aprender a ir mais fundo se quisermos construir relacionamentos que valham a pena, principalmente com Deus. Ainda que pareça trabalhoso, quem se aventura por este caminho descobre que não só é prazeroso, mas que a recompensa é maravilhosa.

Você já viu o tamanho do buraco que precisa ser cavado para se construir um prédio? O alicerce precisa ir fundo ou o prédio desabará, às vezes somente com seu próprio peso, e quando um prédio desaba é sinônimo de tristeza e morte.

Para a construção do alicerce, é preciso cavar, o que pode ser penoso e demorado. É preciso investir esforço, paciência, é preciso tempo, mas quanto mais fundo o alicerce estiver, mais alto o prédio se erguerá.
Não poupe esforços para construir seu alicerce sobre o fundamento mais sólido que há: Jesus, e assim você resistirá firme aos ventos e chuvas da vida e subirá mais alto que jamais imaginou.

“Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.
Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. “ (Mateus 7:24-25)

Stela Herrera

31 de janeiro de 2012

Marcas

Voltei há pouco tempo de uma viagem ao litoral. 

Sempre fui apaixonada pelo mar, é uma das minhas paisagens favoritas! Amo andar descalça pela areia com o vento brincando com meus cabelos e com toda aquela beleza diante dos meus olhos. 

Num desses passeios comecei a observar as marcas que eu deixava na areia, e não só as minhas, mas as que outras pessoas tinham deixado também: marcas de pés pequeninos, de pés grandes, de quem passou com tanta pressa que nem deixou a pegada inteira, de pés que se arrastaram por ali seja por preguiça ou por falta de forças, pegadas acompanhadas e pegadas solitárias...É impossível andar pela areia sem deixá-las!

Pensei neste momento em quantas marcas deixamos em nossa caminhada diária. Às vezes, como no início de minha caminhada na praia, nem percebemos que por onde passamos deixamos marcas. Como acontece na areia, é impossível viver sem deixar marcas, mas diferentemente da praia onde a onda vem e leva embora as pegadas, as marcas que deixamos na vida dos outros podem persistir por muito tempo.

Marcas diferentes: a daquele amigo que te liga só pra saber como você está, a do atendente que foi extremamente rude com você simplesmente porque estava de mau humor, a do bebezinho no banco da frente do ônibus que te deu um sorriso e alegrou o seu dia, a do amigo que puxou as suas orelhas quando você estava precisando, enfim, o que dizemos e fazemos são marcas que deixamos, algumas mais profundas e outras mais superficiais, mas todas elas modificam a areia de alguma maneira.

Pensei em como, por tanto tempo, fui desleixada em não perceber que estava deixando estas marcas. Vi que em minha caminhada, por vezes, as pegadas não foram muito bonitas e desejei ardentemente que essas marcas fossem levadas pelas ondas da graça. Mas também vi que em alguns momentos Deus usou os meus pés para caminhar ao lado de alguém, ajudando-o a seguir o caminho, e isso alegrou meu coração.

O sol esquentou e deixei a praia, cheguei ao quarto da pousada e tudo estava tão limpo e cheiroso, mas quando entrei no quarto olhei para o chão e percebi que lá ficou a areia que havia grudado em meus pés, mesmo eu os tendo lavado antes de entrar. Na pressa de descansar, fui descuidada e permiti que a areia ficasse escondidinha, colada em alguma curvinha dos meus pés. Então me lembrei do caminho que trilhamos com Jesus...

Quando encontramos Jesus ele coloca diante de nós um caminho limpo, mas se não tirarmos constantemente e cuidadosamente a sujeira que antes estava colada em nós, sujaremos tudo novamente e pior, o doce perfume do Espírito deixará de exalar em nossa vida.

Que possamos deixar marcas que alegrem a vida dos que nos rodeiam, que ajudem a quem necessita, que apontem o caminho para quem está perdido e que apresentem Jesus a todos. Que possamos trilhar o doce caminho com pés limpos, lavados pelo único que pode nos purificar de tudo o que antes nos sujava.

“Dirige os meus passos, conforme a tua palavra; não permitas que nenhum pecado me domine.” Salmo 119:133

Stela Herrera

19 de janeiro de 2012

Deixa pra lá

Fico admirada com a quantidade de coisas inúteis que guardamos! Coisas que talvez até tenham nos servido em algum momento da vida, mas que agora só ocupam espaço e juntam poeira em um cantinho qualquer do armário. É assim com aquela roupa que saiu da moda, com a TV velha que ninguém liga mais porque já tem uma novinha com uma melhor imagem, com coisas que usávamos quando éramos bebês ou crianças e que agora não queremos nos desfazer.

É bom guardar algumas lembranças, mas manter o armário cheio de coisas velhas é um problema porque estas coisas acabam por não abrir espaço para as novas, as que seriam verdadeiramente úteis e boas para nossa vida hoje.

Na vida espiritual também é assim, nos agarramos aos hábitos e atitudes do velho homem e, assim, não abrimos espaço para as mudanças tão necessárias em nossa vida.

Você já tentou correr com algo agarrado em suas pernas? Quando eu era criança volta e meia havia no colégio aquelas gincanas onde uma das provas era correr com as pernas amarradas. O resultado eram tombos, tropeções e para mim, que nunca fui muito atlética, era um tormento! Apenas alguns conseguiam cruzar, com muita dificuldade, a tão almejada linha de chegada e ganhar o prêmio.

A vida cristã é comparada algumas vezes na Bíblia a uma corrida. Corremos para o alvo que é Cristo, mas devo confessar que nesta corrida há obstáculos e às vezes tropeçamos demandando ajuda do alto para que possamos continuar. Este não é o problema, o que atrapalha na verdade são as coisas que insistimos em carregar: hábitos ruins, mágoas, falta de perdão. Elas se apresentam em nossa corrida diária como cordas que atam nossas pernas, nos impedindo de ganhar velocidade e até de continuar correndo.

Precisamos urgentemente nos livrar de tudo o que nos atrapalha em nossa corrida, deixar para trás aquilo que não nos serve mais, para que possamos prosseguir, como campeões da fé, na corrida que nos foi proposta.

Ficar agarrado a velhos hábitos e mágoas antigas não vai nos levar para frente, mas apenas nos puxar para baixo, deixando-nos cada vez mais longe do pódio. Além disso, carregar peso desnecessário faz a corrida, que é boa e agradável, parecer dura e pesada.

Sejamos perseverantes em descartar tudo aquilo que não serve mais ao novo homem que nos tornamos a partir do momento em que verdadeiramente encontramos a Cristo.

Deixe pra lá! Deixe pra lá as mágoas: perdoe! Deixe pra lá os hábitos ruins: substitua-os por outros que agradem a Deus! Deixe pra lá os programas de TV com conteúdo ruim, as páginas na Internet que contém lixo: selecione as que possam te encher de tudo o que é bom! Corra para o alvo, sem ter nada que amarre suas pernas e certamente você não só vai chegar ao pódio, mas desfrutar da corrida.

“Livremo-nos de tudo que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta.“ (Hb 12:1b)

Stela Herrera

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